Recomendação estabelece diretrizes para identificar abusos judiciais que prolongam a violência de gênero e prevê atenção a fatores de vulnerabilidade das vítimas
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| Foto: Luiz Silveira |
A proposta foi relatada pela conselheira Jaceguara Dantas, que identificou casos desse tipo durante sua atuação na Ouvidoria Nacional da Mulher. Segundo ela, o processo judicial não deve servir como continuidade da violência, sem comprometer o direito de acesso à Justiça ou a independência dos magistrados.
As diretrizes orientam juízes a analisar o contexto das ações, observar a repetição de condutas e considerar possíveis desigualdades de poder entre as partes. O objetivo é reconhecer estratégias abusivas que podem passar despercebidas quando os processos são avaliados isoladamente.
A recomendação também reúne orientações sobre produção e avaliação de provas e mecanismos para interromper práticas abusivas. O texto não cria novas sanções nem altera regras processuais, mas direciona a aplicação das normas existentes em casos de violência de gênero.
O documento prevê indicadores para identificar essas situações e considera fatores como raça, deficiência, idade e condição econômica, que podem aumentar a vulnerabilidade das mulheres. Durante a sessão, representantes da magistratura e da Defensoria Pública destacaram o uso de procedimentos judiciais para prolongar o desgaste psicológico e patrimonial das vítimas.
